“Quando José chegou ao lugar onde os seus irmãos estavam, eles arrancaram dele a túnica longa, de mangas compridas, que ele estava vestindo. Depois o pegaram e o jogaram no poço, que estava vazio e seco. E sentaram-se para comer”.Gn 37. 23-24. A traição é, sem dúvida, um dos grandes paradoxos da condição humana. Ninguém é traído por seu inimigo, pois não permitimos que se aproximem o suficiente de nossos corações. Não temos intimidade o suficiente com eles. Compartilhamos nosso coração com os nossos irmãos e amigos. Eu fico conjecturando sobre aquilo que José deve ter sentido. Eu imagino ele dizendo para si mesmo a caminho do Egito o seguinte: “Não consigo acreditar que não enxerguei os sinais. Estavam ali na minha frente! Como pude ser tão cego?” É incrível como as pessoas emitem sinais de quem elas realmente são e nós não enxergamos. Jovem cuidado com suas amizades! Cuidado com aqueles que se aproximam dizendo ser amigos. Eu creio que durante a viagem José chorou muito. Este menino não podia crer naquilo que estava acontecendo. Seus próprios irmãos. Sendo um ser humano como qualquer outro, creio que José teve raiva, ressentimento, se desencantou com os irmãos. Eu creio que ele gemia de dor. Quando sofremos a traição de um amigo ou irmão a nossa alma dói absurdamente, dói a nossa carne, os nossos ossos, e conforme os dias vão passando, então começamos a revisar cuidadosamente o passado. Palavras, gestos, olhares, frases começam a bailar em nossas mentes e nos perguntamos como nos enganamos a respeito das intenções de uma determinada pessoa, da lealdade de um irmão, um amigo, do bom senso daquele que estava ligado a você no trabalho, no ministério. E normalmente observamos os erros que cometemos com uma visão agora mais aguçada. Começamos a reviver nossos erros. Certos momentos voltam em nossas mentes. Queremos fazer o tempo voltar, escolher melhor nossas amizades. Sentimos raiva de nós mesmos por ter sido tão tolos, e de certa forma ingênuos por acreditar tanto em alguém que nunca mereceu a nossa confiança. Pessoas assim só se aproximam para tirar vantagem. Aproximam-se porque desejam alguma coisa que você tem para dar, não são seus amigos. Estes quando menos esperamos nos preparam ciladas, nos jogam na cisterna, nos vendem como escravos e comunicam a nossa morte.Você consegue imaginar José? Eu o imagine pelo caminho suspirando, soluçando, meneando a cabeça, tento crises de choro, falando baixo e lentamente, olhos baixos, movimentos lentos e deliberados, mudanças no apetite, falta de atenção à higiene e às roupas, apático, abrindo e fechando a boca, sem dizer nada ou no máximo “aí” ou talvez “porque”. Essa é a palavra que mais sai da nossa boca “porque”. Não temos respostas, é apenas um imenso vazio. Aprendemos com José que não podemos compartilhar nossos sonhos com qualquer pessoa. Nem todos são dignos de compartilhar daquilo que Deus nos revela. José chega ao Egito e é vendido novamente a um egípcio chamado Potifar, um oficial que era o capitão da guarda do palácio(Gn 39.1). Eu creio que neste momento os olhos de José corriam de um lado para o outro. Havia tensão no corpo, contração do corpo. Talvez ele retorcesse as mãos, limpasse a garganta, tossisse de nervoso. Talvez mordesse os lábios, olhasse para baixo. Talvez seu corpo estivesse tremulo, suasse. Nestes momentos não há nada melhor do que saber que Deus está conosco e Deus estava com José! A Palavra do nosso Deus diz: “O Senhor Deus estava com José” Gn 39.2a. Neste momento José aprendia a reconhecer tão-somente a mão do nosso amoroso Pai, que está nos céus, em todas as coisas. Talvez você esteja vivendo um momento de traição e medo. Talvez esteja dando a glória ao diabo, ao mundo, à carne, as circunstâncias. Pode estar culpando os seus inimigos. Mas saiba que você pode receber grande paz e quietude de coração quando se recusar a reconhecer causas secundárias em sua vida. Deus é soberano e Ele é o nosso Pai. Ele se agradou em permitir que essas coisas acontecessem, e a sua parte é crer que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Rm 8.28). José foi cruelmente traído pelos seus irmãos, lançado numa cisterna e vendido como escravo. Tanta aflição para um só jovem parecia suficiente para feri-lo mortalmente no seu interior, até que viesse a perecer sob a amargura da alma que normalmente resulta da rejeição pessoal. Mas Deus tornou todo o mal em bem na vida de José. Termino hoje com uma frase.
“As minhas orações não mudam a Deus. As minhas orações mudam a mim mesmo”.
C.S. Lewis
“As minhas orações não mudam a Deus. As minhas orações mudam a mim mesmo”.
C.S. Lewis
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